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Artigo de autoria de professor Samuel Lago é destaque na Gazeta do Povo

No dia 15 de outubro, o jornal Gazeta do Povo na versão digital publicou um artigo publicado pelo educador e escritor Samuel Ramos Lago. Confira abaixo a íntegra do texto:

A educação do Brasil não vai bem, mas ainda sonho com as melhoras

Sonhei e continuo sonhando. Por que quero contar sobre os meus sonhos? Para estimular meus colegas professores a sempre pensar grande e ter visão prospectiva da vida. Quem sonha e realiza faz acontecer, faz a diferença! Já criei cerca de 150 pensamentos (quando chegar aos 200, publico mais um livro) e gosto muito deste: “Seremos aquilo que sempre formos capazes de sonhar, crer, ousar, realizar!” (até rimou). Bem nessa sequência. Pessoas que mudaram o mundo para melhor foram aquelas que tiveram um sonho (desejo), creram nele, ousaram e o tornaram realidade.

Certa vez, na Itália, em Florença, visitando a igreja de Santa Croce, construída no ano de 1252, comecei a passar os olhos nos nomes das pessoas que ali foram sepultadas ou homenageadas. Tremi na base! Tanto que, numa outra viagem à Itália, fiz questão de ficar um mês e voltar a essa mesma igreja em Florença. Lá estão sepultados ou representados, em fantásticas esculturas e pinturas, músicos, cientistas, escultores e poetas tais como Michelangelo, Maquiavel, Leonardo Bruni (político), Rossini, Dante Alighieri, Galileu Galilei! Pessoas fantásticas que, no curto espaço de uma vida, deixaram sementes que, em alguns poucos séculos, modificaram o mundo! Modificaram porque não tiveram medo de pensar, duvidar, contestar e inovar.

Fato é que, mesmo com a globalização, as mudanças no nosso país são lentas como o andar de uma lesma! Pouco significativas. Predomina a maldita visão conteudista estéril, sem sentido e sem prazer. Sem um “para quê”! Consequências: bullying, repetência e evasão escolar. Professor é alguém que professa algo ou ideais. Professei muita coisa idiota, sem sentido! A escola tradicional moldou-me assim. Mas, há décadas, novas fichas caíram e comecei a mudar minha visão de educação. Para melhor! Para a vida!

Hoje me arrependo profundamente das muitas asneiras que ensinei aos alunos. Coisas sem sentido e, consequentemente, não prazerosas. Pura compulsão de repetência. Pura visão anacrônica, conteudista. Procurava fazer o melhor, mas o meu melhor estava longe do que hoje penso que devemos ensinar: ferramentas para a vida! Ética, valores, habilidades, competências, inter-relações. Ensinar a pensar, duvidar, questionar. Ensinar conteúdos significativos. Informação não é conhecimento e muito menos sabedoria! Não basta mais saber, tem de saber fazer! Mas antes de fazer é preciso pensar diferente sobre o que se faz. Mais importante do que saber é aprender como usar esse saber. Educar é ensinar a pensar! Todos temos de reaprender a ver a floresta e não apenas as árvores isoladas. “Árvores” são as disciplinas ensinando conteúdos isolados sem sentido. A “floresta” é um todo maravilhosamente inter-relacionado, significativo, prazeroso.

E, dentre estes milhares de sonhos, compartilho oito deles: sonho com o dia em que pudermos ter escolas e propostas como as da Suíça, Noruega, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Canadá. O dia em que tivermos diretores, coordenadores, professores dispostos a inovar, tirar a educação da mesmice conteudista em que se encontra; que entendam o que um outro biólogo, como eu, Jean Piaget (1896-1980), afirmou: “só se aprende o que tem sentido, o que é prazeroso”, que entendam que conteúdos sem sentido são indigestos, serão “deletados” após a avaliação. O dia em que realizarmos uma “lipoaspiração curricular” efetiva, eliminando gorduras, apresentadas em forma de conteúdos desnecessários e sem sentido para o aluno na vida prática. O dia em que priorizarmos conteúdos significativos, ética, valores, o pensar, perguntar, questionar, inter-relacionar. O dia em que formos capazes de mudar nosso arqueozoico processo de avaliação. O dia em que priorizarmos a Pedagogia de Projetos, como vem sendo realizado na Escola da Ponte, em Portugal. O dia em que fizermos o “casamento” entre informática e conteúdos significativos, o questionar e o pensar. E o dia em que o professor for melhor remunerado, mas também cobrado na busca de melhores resultados.

Será que estou sonhando demais em desejar tudo isso para nossos alunos, filhos e netos? No dia do professor, um abraço fraternal a todos os meus queridos colegas!

dia do professor
  Samuel Ramos Lago, professor, educador, biólogo e empresário, é autor de mais de 50 livros.
Clique aqui para ler o artigo na Gazeta on line.
Conheça os livros publicados pelo professor Samuel Ramos Lago.

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